“Amor, quando é amor, termina em barraco. Se termina em silêncio, já não era mais nada.”
Essa frase é do Gabito Nunes, um escritor que conheci há uns anos. Apesar de eu gostar muito do trabalho dele, esse é um post pra discordar da frase que eu citei. É, talvez eu já tenha concordado um dia no auge da minha juventude ingênua, mas eu discordo. Eu acredito é justamente no contrário, amor quando termina, termina em respeito. Se termina em barraco, já não era mais nada.
Quando um relacionamento chega ao fim e ainda há amor e respeito, é preciso não sucumbir ao desejo de esbravejar e revoltar-se. Quando um relacionamento que ainda tem amor chega ao fim, a gente mede as palavras, a gente se preenche com um sentimento de gratidão e consideração pelo tempo que passou junto do outro. Quando chega ao fim, a gente quer ser feliz e encontrar o nosso caminho na mesma intensidade que quer que o outro seja feliz e e encontre seu caminho. O que fica depois do fim é uma preocupação cheia de carinho, fica um sentimento de que tudo foi bonito do começo ao fim e que só acabou porque, de alguma forma, a beleza da relação se perdeu. Quem ama, não aceita nada que não seja o melhor que a união pode ser.

Quando acaba em xingamentos, acusações, ameaças, gritos e barraco, não há mais respeito pelo relacionamento, muito menos pela pessoa. Quando um, só de pirraça, bate o pé pra ficar com aquele sofá que sabe que o outro gosta muito mais, o amor já foi embora há muito tempo. No fim, não existe “eu terminei”, “elx terminou”, o fim é consenso. Se não é consenso, é repeito. É preciso de muito amor pra entender que pro outro a caminhada não faz mais sentido. É preciso coragem pra deixar o orgulho de lado, é preciso maturidade.
Não digo que é preciso manter um relacionamento de amizade, nem que é preciso virar melhor amigo, chamar pra um café no dia seguinte. Cada um lida como for melhor, se depois do fim, o que restar for a indiferença, não tem problema, mas deixe o outro trilhar o seu caminho daqui pra frente. Sem provocações, sem histeria, sem chantagem. Trilhe o seu caminho em paz, agradeça por cada conquista que só foi possível pela companhia do momento, pelo apoio, pela mão que estava lá pra segurar, caso algo não saísse como planejado. O segredo de tudo é o timing. É preciso saber a hora de parar de insistir, pra que as coisas terminem de uma forma bonita. Não é preciso esperar o limite pra aceitar a perecibilidade da relação.
Depois do fim, o que fica é admiração. Na minha nova sala tem um quadro com a fotografia dele que mais gosto. Na dele, uma silhueta minha. Nossos amigos ainda são os mesmos, relacionamento que termina com amor não obriga as pessoas a escolherem um lado. Relacionamentos acabam pra que novos ciclos se iniciem, pra que as possibilidades de encontrar a felicidade se renovem. Amor sempre dá certo, até quando termina.
Depois do fim que há amor, enquanto os dois tentam juntar os pedaços pra recomeçar, um sempre vai sorrir ao saber de uma conquista do outro. Depois do fim, ainda há um querer bem. Se termina em barraco, repito, já não era mais nada.
“You’ve got to learn to leave the table when love is no longer being served.” (Nina Simone)


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